Se a paciência é uma virtude, então a artista Elisheva Biernoff deve estar entre as mais virtuosas. Sua técnica de pintura exige um nível extraordinário de concentração. Usando fotografias antigas de desconhecidos, que encontra no eBay e em lojas de antiguidades, ela recria meticulosamente as imagens em seu tamanho original exato — frente e verso — com pequenas pinceladas em madeira compensada fina como papel. Ela trabalha em apenas uma pintura por vez, e cada uma leva de três a quatro meses para ser concluída.
"Elas são meio que... absorventes", diz Biernoff, de 45 anos, que vive em São Francisco. Ela completa apenas um punhado de pinturas por ano. "Gosto de conviver com uma delas, ter esse vínculo."
Biernoff desenvolveu sua abordagem única por amor às fotografias de outras pessoas, um interesse que começou durante seu período na Universidade de Yale, onde cursava pré-medicina enquanto também estudava arte. ("Achei que poderia ser uma médica que fazia arte", ela diz. Uma aula difícil de química orgânica a convenceu do contrário, e a arte prevaleceu.)
Em 2009, ano em que obteve seu mestrado em Belas Artes pelo California College of the Arts, ela foi convidada a projetar uma vitrine para a iniciativa Art in Storefronts da Comissão de Artes de São Francisco. Biernoff pediu às pessoas do bairro que enviassem fotos de família, que ela então replicou em tinta para sua instalação. O resultado lembrava a parede de uma sala de estar comunitária, repleta da intimidade de um álbum de fotos, mas elevada pela atenção intensa que seu processo de pintura exige. Criar arte dessa forma a conectou a pessoas e lugares que ela de outra forma não conheceria. Ela ficou viciada.
Desde então, ela realizou exposições individuais na Califórnia, Nevada e Canadá. Agora pode adicionar Nova York a essa lista, com a recente abertura de "Elsewhere", sua primeira exposição individual na Costa Leste, realizada na elegante townhouse da galeria David Zwirner no Upper East Side — um cenário apropriado para obras de arte baseadas em fotos de família.
A exposição funciona como uma minirretrospectiva, apresentando 27 obras de 2011 a 2025. Junto às pinturas de fotografias antigas está uma peça mais recente chamada Road Not Taken (2024), recente exploração de Biernoff do trompe l'oeil. Suas nove pinturas componentes lembram kits de pintura por números — o que Biernoff chama de "arte de sala de estar" — mas, na verdade, cada uma foi meticulosamente pintada à mão. Até mesmo o veio da madeira nas molduras é trabalho da própria artista.
A maioria de suas pinturas baseadas em fotos é pequena — algumas com apenas dez centímetros de altura —, mas elas falam muito sobre memória, empatia e o que significa olhar atentamente. Biernoff não usa lupa, tornando os detalhes que replica, como as duas dúzias de cartões de natal em Advent (2025), ainda mais impressionantes. "Sinto que franzo muito os olhos e me encurvo muito", ela me diz enquanto caminhamos pela galeria. Ela usa os menores pincéis que consegue encontrar.
A distância entre o momento em que a foto original foi tirada e o tempo gasto recriando-a é imensa, e dentro dessa lacina está a magia. "Essas imagens têm uma maneira de se abrir quanto mais tempo passo com elas", diz Biernoff. Pequenos detalhes emergem, como a mão de um avô no canto de Generation (2014–2015), ou um versículo bíblico escrito em um quadro de avisos em Beyond Our (2023). Essas descobertas ocultas podem aprofundar, ou até mesmo mudar completamente, o significado da pintura.
Em sua maioria, Biernoff trabalha com fotografias tiradas dos anos 1950 aos 1980 — épocas em que as câmeras eram reservadas para ocasiões especiais, ao contrário de hoje, quando tirar uma foto é tão simples quanto pegar um telefone. As fotos daquela época carregam um certo peso. Elas também têm uma paleta distinta, suavizada e amenizada pela pátina do tempo. O trabalho de Biernoff parece mais nostálgico do que as imagens polidas e brilhantes de nossa era digital.
Considere pinturas fotorrealistas de artistas como Audrey Flack ou Richard Estes. Embora de uma época diferente, as fotografias que Elisheva Biernoff seleciona capturam cenas cotidianas que ainda parecem familiares: alguém no sofá lendo o jornal, crianças brincando lá fora. No entanto, por serem imagens de estranhos, suas histórias completas permanecem ocultas. Em Strike (2021), que mostra um toco de árvore irregular diante de uma casa branca, a única pista é uma inscrição no verso da foto, que Biernoff também reproduz: "Casa destruída após a tempestade. Julho de 1970." Mas que tempestade, e onde? "Interesso-me por como elas permanecem cifras", ela diz. "Posso inventar histórias ou projetar meus sentimentos nelas, mas elas são, em última análise, incognoscíveis."
Embora o trabalho de Biernoff lide com o tempo, é igualmente sobre controle — ou a ilusão dele. "A maioria de nós tenta ficar bem nas fotos, certo? Controlamos o resultado pela forma como nos vestimos, posamos ou editamos. Mas sempre me atraio por imagens onde algo não intencional acontece", ela explica. Navegando pelo eBay ou vasculhando lojas vintage, ela busca peculiaridades: uma mão escorregada, um flash refletindo em um espelho, um acidente químico na revelação. Biernoff replica essas falhas com a mesma precisão e respeito que qualquer outra parte da imagem. "Elas são afirmações da humanidade. É a vida no momento, não a vida idealizada."
Biernoff também insere suas próprias intervenções. No conjunto Fragment (2024), ela recria um cartão postal dos anos 1950 colecionado por sua sogra, "afixado" (com um percevejo de cerâmica feito à mão) contra "painéis de madeira" (madeira compensada pintada à mão). O cartão postal retrata um fragmento de lintel esculpido do século XII da Catedral de São Lázaro em Autun, França, mostrando Eva alcançando a maçã proibida. A escultura original foi removida da igreja, perdida no século XVIII, depois encontrada como material de construção de uma casa, então restaurada e transferida para o Musée Rolin em Autun, onde permanece.
"Adorei como isso ecoava a história do deslocamento de Eva — banida por pegar o fruto", diz Biernoff. Nesse espírito de expulsão, ela pintou dois retângulos claros no veio da madeira ao lado do cartão postal, como fantasmas de cartões postais ausentes.
O verso do cartão postal de Eva não está visível, mas Biernoff também o pintou — uma nota imaginária da perspectiva de Eva, endereçada à poetisa polonesa Wisława Szymborska, traçando a jornada do lintel: "Por um milagre, fui salva, depois vendida, esfregada e iluminada por holofotes. Você chama isso de ressurreição ou exílio?"
Talvez seja um renascimento — para esta Eva de pedra, e para todas as figuras anônimas nas pinturas de Biernoff. Todas recebem uma vida após a morte, quem quer que tenham sido.
"Elisheva Biernoff: Elsewhere" está em exibição na David Zwirner, 34 East 69th Street, na cidade de Nova York, até 28 de fevereiro de 2026.
Perguntas Frequentes
Perguntas Frequentes Em Elisheva Biernoffs Paintings a Picture Takes Two Thousand Hours
Q Quem é Elisheva Biernoff
R Elisheva Biernoff é uma artista visual contemporânea baseada em São Francisco, conhecida por suas pinturas incrivelmente detalhadas e que demandam muito tempo, explorando temas como memória, percepção e o mundo natural.
Q O que significa que uma imagem leva duas mil horas
R É uma descrição literal de seu processo. Biernoff dedica uma quantidade impressionante de tempo — frequentemente cerca de 2000 horas ou mais — a uma única pintura de pequena escala, aplicando inúmeras camadas de tinta a óleo translúcida para criar profundidade e detalhes.
Q Por que leva tanto tempo para fazer uma pintura
R Sua técnica é extremamente meticulosa. Ela trabalha com finas camadas de veladuras de tinta a óleo, permitindo que cada camada seque completamente antes de adicionar a próxima. Esse processo lento e meditativo cria uma qualidade luminosa única e uma profunda sensação de espaço que não pode ser alcançada rapidamente.
Q Que tipo de temas ela pinta
R Ela frequentemente pinta paisagens serenas e íntimas e cenas naturais, como interiores de florestas, prados ou corpos d'água. Geralmente são baseadas em fotografias, mas são transformadas por seu processo minucioso em algo onírico e profundamente texturizado.
Q Qual é o benefício de dedicar tanto tempo a uma única obra
R O imenso investimento de tempo permite uma profundidade extraordinária de cor, luz e detalhes. Cria uma experiência de visualização poderosa, quase imersiva, onde a pintura parece conter o tempo em si, incentivando o observador a olhar de forma lenta e contemplativa.
Q Qual é o tamanho dessas pinturas que levam 2000 horas
R Ironicamente, elas são frequentemente bem pequenas, às vezes com apenas alguns centímetros de largura. A escala contrasta com o investimento de tempo monumental, fazendo o observador se aproximar e se envolver de perto com a superfície intrincada.
Q Isso é considerado arte lenta
R Sim, absolutamente. O trabalho de Biernoff é um exemplo primordial do movimento da arte lenta, que é uma reação à cultura acelerada. Ele enfatiza foco profundo, artesanato e um processo artístico onde o tempo é um material primário.
Q Qual é um desafio ou problema comum com esse método
R O principal desafio é a pura resistência física e mental necessária. Exige uma paciência incrível, mão firme e uma visão de longo prazo, pois
