Éramos todos calouros, em sua maioria, na aula de desenho de modelo vivo. Alunos do primeiro ano de artes. É estranho pensar nisso agora — que o departamento de arte contratava outros estudantes universitários como modelos. Tenho certeza de que não fazem mais isso. Mas naquela época, era verdade. Às vezes, o modelo era o homem de cabelos grisalhos da pequena cidade de Vermont, que trazia uma bengala como adereço e parecia um pouco ansioso demais para se despir para nós. Mas outras vezes, o modelo era outro estudante, alguém que você poderia reconhecer pelo pequeno campus, agora tirando o casaco de inverno e desaparecendo atrás de um biombo para trocar de roupa e vestir um roupão, enquanto um aquecedor tentava fracamente combater o frio.
Havia uma plataforma de madeira a poucos centímetros do chão. Isso era o suficiente para nos separar entre os que olhavam e aquele que era olhado. Não havia cerimônia quando o modelo subia na plataforma, e a sala parecia se apertar em torno da nudez repentina. Todos sabiam que deviam ser educados — até mesmo um pouco indiferentes.
Primeiro, vinha uma série de poses de 30 segundos. Antes que você pudesse realmente pensar na nudez, sua página em branco precisava ser preenchida. O professor marcava o tempo, e o modelo se movia. Era rápido demais para capturar qualquer coisa além de um rabisco, a forma mais grosseira de um corpo no espaço. Depois, vinham as poses mais longas. Era quando você começava a notar a pessoa — a pessoa real, o corpo real. Como a nudez em fontes termais ou banhos comunitários, não era realmente sexual, embora isso não estivesse totalmente ausente. A nudez era direta e infinitamente interessante, a menos que começasse a ficar entediante. E então vinha a percepção curiosa de que uma pessoa nua poderia ser entediante. Às vezes, eu sentia a mudança — o momento em que linhas e formas recuavam para o simples fato da nudez, o colega de classe nu distraído em uma cadeira dobrável coberta com uma toalha, seus músculos tremendo levemente por segurar a pose. Quando o cronômetro disparava, ele se levantava, o encanto instantaneamente quebrado, a pele de suas costas vermelha e marcada com a textura da toalha felpuda.
Três horas, com alguns intervalos. Às vezes, durante o intervalo, o modelo vagava pelo estúdio em seu roupão, olhando o trabalho em nossas pranchetas, tornando-se um de nós novamente.
Havia um livro de desenho popular que usávamos para exercícios de estúdio, Desenhando com o Lado Direito do Cérebro. Qualquer neurociência em que se baseava era duvidosa e provavelmente completamente desacreditada agora, mas os exercícios eram genuinamente úteis. Desenhe o rosto do modelo sem olhar para o papel. Desenhe a forma do espaço vazio entre o tronco e o cotovelo dobrado. Os exercícios nos tiravam de nossas ideias preconcebidas sobre o que estávamos tentando desenhar — nossa imagem mental de uma maçã, ou como um rosto humano deveria ser — e nos permitiam focar na informação visual bruta. Havia certas coisas que você precisava aprender: onde os traços se situam em relação uns aos outros, como a linha do pescoço se inclina onde encontra os ombros, a diferença entre o corpo na sua imaginação e o corpo na realidade.
Ao mesmo tempo, eu estava fazendo um curso de história da arte. A sala de aula escurecia, o projetor de slides zumbia, e ali, diante de nós, a pintura ou fotografia aparecia. Eu amava como as imagens tremeluziam na tela, feitas de luz. Como todos olhávamos juntos, com verdadeira reverência, para o trabalho. Lá, aprendi a falar sobre arte — como uma peça se parece, seus elementos materiais, mas também seu contexto histórico e a biografia do artista. Era sobre reunir um tipo de autoridade externa.
Era diferente na aula de desenho de modelo vivo. O objetivo era quase o oposto — como poderíamos abandonar todas as nossas ideias herdadas ou equívocos sobre como um corpo deveria ser desenhado, e realmente ver a verdade de como aquele corpo em particular existia, ali mesmo naquela sala com seu ar viciado e janelas de vidros grandes, as árvores nuas de inverno lá fora? Não precisava de muita explicação, contexto ou autoridade — o corpo era a coisa em si, e resistia a pensar demais.
Os desenhos eram bons? Esse não era realmente o ponto. Nós nos esforçávamos, e se melhorávamos, era apenas porque melhorávamos em olhar. Aprendemos a dedicar tempo para prestar atenção. O simples presente de outra pessoa parada diante de nós nos fazia querer estar à altura do momento com nosso próprio esforço. O que merecia mais nossa atenção do que o corpo? O que mais havia permanecido tão fiel a si mesmo por tanto tempo?
Aquelas horas tinham uma qualidade tão única. O tempo parecia se esticar e se intensificar enquanto olhávamos. Música clássica tocava em um CD player, as mesmas músicas se repetindo. Às vezes, a aula terminava, e eu me sentava surpreso. Outras vezes, sentia minha capacidade de foco escapar, os minutos se arrastando, e eu virava meu caderno de esboços para uma nova página e recomeçava, tentando e falhando em recuperar minha concentração.
Muitas vezes pensei naquelas sessões de desenho de modelo vivo depois: em uma escola de arte em São Francisco, no verde Oregon — sempre que eu aparecia em um grupo noturno de desenho de figura com minha caixa de lápis de estanho e bloco de papel pardo. Ainda me sinto encorajado pela persistência dessa prática, sua humanidade, e a maneira como ela afirma algo básico e essencial sobre o corpo. Tanto se tornou irreconhecível para mim, mesmo durante minha própria vida. É bom pensar no que permanece.
Aula de modelo vivo — como eu escrevia no meu pequeno calendário. É uma frase bonita, uma ideia bonita. E não era exatamente isso que era?
Perguntas Frequentes
Aqui está uma lista de perguntas frequentes sobre o conceito Desenhar o corpo nu me ensinou a ver sem julgamento, escrita em um tom natural e útil.
Perguntas para Iniciantes
P: O que significa exatamente "desenhar o corpo nu me ensinou a ver sem julgamento"?
R: Significa que, ao desenhar um modelo nu, você para de focar se o corpo é bom ou ruim, atraente ou feio. Em vez disso, você foca puramente em linhas, sombras, formas e ângulos. Você aprende a ver o corpo como uma coleção de formas, não como um objeto a ser julgado.
P: Não sou artista. Ainda posso me beneficiar dessa ideia?
R: Com certeza. Você não precisa ser um artista habilidoso. O simples ato de olhar e tentar copiar o que vê — mesmo com um boneco de palito básico — treina seu cérebro a observar sem rotular. É sobre mudar sua mentalidade, não criar uma obra-prima.
P: Isso é o mesmo que uma aula de desenho de modelo vivo?
R: Sim, é o núcleo de uma aula tradicional de desenho de modelo vivo. O objetivo não é fazer uma imagem bonita, mas capturar com precisão a forma humana. A observação sem julgamento é um efeito colateral natural da prática.
P: Isso vai me ajudar a me sentir menos autoconsciente sobre meu próprio corpo?
R: Muitas pessoas acham que sim. Ao ver todas as diferentes formas, tamanhos e proporções de corpos reais sem crítica, você começa a ver seu próprio corpo como apenas mais uma variação da forma humana, não como um problema a ser resolvido.
Perguntas para Níveis Intermediário e Avançado
P: Como você realmente desliga seu cérebro julgador quando começa a desenhar?
R: Você não o desliga à força. Você redireciona seu foco. Em vez de pensar "essa coxa é muito grande", você se força a pensar "essa coxa é uma forma curva que se conecta ao joelho em um ângulo de 30 graus". Você substitui o julgamento por uma medida ou uma linha.
P: Qual é o maior obstáculo que as pessoas enfrentam ao tentar isso?
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