**Tradutores do mundo, alegrem-se.** Os óculos estão vivendo seu momento de destaque na moda, atraindo consumidores que querem se expressar tanto quanto precisam de suporte visual. Nas passarelas, essa mudança começou com a coleção Primavera/Verão 2024 da Miu Miu, que apresentava óculos, e depois se espalhou para microtendências do TikTok como *office sirens*, óculos *Bayonetta* e *teacher slay*. Dos rapazes de praia com armação de aço da Jacquemus na SS27 a Ice Spice usando lentes Ray-Ban Meta, os óculos se tornaram um item essencial na alta moda e na cultura pop.
Do ponto de vista comercial, o mercado de óculos é ferozmente competitivo. As marcas que disputam participação de mercado intensificaram seus esforços com inovação de produtos, posicionamento e presença global. Em 2025, os óculos de luxo — incluindo óculos de sol e de grau — apresentaram forte crescimento, subindo cerca de 2% a 4% nas taxas de câmbio atuais para aproximadamente €17 bilhões, de acordo com a Bain & Co.
Desde 2023, os óculos têm sido uma exceção à desaceleração geral dos artigos de luxo, ajudando a impulsionar o crescimento no mercado de luxo pessoal ao lado de apenas algumas outras categorias. "Isso coloca os óculos em uma posição verdadeiramente privilegiada: são resilientes, estão crescendo e estão estruturalmente alinhados com para onde os gastos do consumidor estão indo", diz Federica Levato, sócia sênior da Bain & Co. "Em um mercado marcado pela polarização e pressão sobre a demanda aspiracional, os óculos continuam sendo uma das poucas categorias onde os fundamentos ainda estão a seu favor."
O futuro parece brilhante em diferentes faixas de preço. A Euromonitor prevê que a indústria global de óculos — incluindo lentes de contato, óculos de grau e óculos de sol — valerá US$ 171 bilhões em 2026, um aumento de 4% em termos correntes. Os principais impulsionadores incluem o envelhecimento da população, o número crescente de pessoas com miopia e hipermetropia, e o boom dos óculos inteligentes. A Euromonitor prevê uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 48% para óculos inteligentes até 2030. Enquanto isso, um novo cruzamento com a beleza — onde os óculos se tornam parte das rotinas diárias — abre novas oportunidades de crescimento.
A adoção de óculos por consumidores antenados na moda ajudou a impulsionar um mercado próspero.
Foto: XNY/Star Max/GC Images. Cortesia de Getty.
Ganhar a confiança do consumidor é fundamental no setor de óculos. "Os consumidores querem experiências omnichannel perfeitas — descobrir produtos nas redes sociais, experimentá-los virtualmente e ganhar confiança nas lojas", diz Natasha Cazin, gerente global de insights da Euromonitor para óculos. "Para segmentos premium, o valor é menos sobre preço e mais sobre confiança e aparecer da maneira certa no momento certo." A volatilidade tarifária tem sido um problema, especialmente para marcas e fabricantes que dependem muito da China, enquanto as regulamentações continuam a atrasar o progresso dos óculos inteligentes devido aos atrasos da UE em relação à conformidade com a IA, acrescenta Cazin.
**Capitalizando o estilo**
A "modaização" dos óculos tem sido um impulso bem-vindo para a categoria. "O mercado de óculos cresceu em popularidade porque agora é visto como o toque final de um visual", diz Ana Correa, estrategista de acessórios da consultora de tendências WGSN. "Para a categoria ótica, os óculos de grau ainda são preferidos em relação às lentes de contato, já que agora você pode ter várias armações em diferentes cores, acabamentos e formatos que podem ser estilizados de várias maneiras."
"Acredito que os óculos estão numa interseção única entre moda, luxo e saúde", diz Marco D'Acunzo, presidente de óculos para a América do Norte da fabricante Marcolin.
Foto: Cortesia de Marcolin.
Ela destaca um aumento impulsionado pelo consumidor em designs statement que equilibram estética ousada com usabilidade diária e duradoura. Armações grandes e finas estão com bom desempenho no varejo, no street style e nas passarelas. A Geração Z, acrescenta Correa, tende a estilos dos anos 90 e 2000 — armações de metal e acetato fino — enquanto os millennials e consumidores mais velhos adotam formatos grandes, ovais retrô e quadrados.
Fabricantes e distribuidores entendem o lugar especial dos óculos no mercado. "Acredito que os óculos estão numa interseção única entre moda, luxo e saúde", diz Marco D'Acunzo, presidente de óculos para a América do Norte da fabricante Marcolin. "O produto tem dois lados. Um é sobre aparência, design, luxo e moda. O outro é mais médico." A Marcolin detém a licença perpétua para os óculos Tom Ford — uma grande conquista para a empresa.
Foto: Cortesia de Marcolin.
A Marcolin, fundada na Itália na década de 1960, foi comprada pela VSP Vision, sediada na Califórnia, em dezembro passado. Uma parte fundamental de seus negócios é a licença perpétua para os óculos Tom Ford. "Só distribuímos Tom Ford em lugares que representam adequadamente sua imagem e valores", explica D'Acunzo. "Claro, trabalhamos sempre em estreita colaboração com a casa de moda para nos mantermos atualizados sobre as tendências do consumidor e as mudanças de design." Lara Marogna, diretora de estilo e desenvolvimento de produtos do grupo Marcolin, trabalha com o diretor criativo da Tom Ford, Haider Ackermann, para manter os elementos dos óculos e da moda intimamente ligados.
**A personalização é importante**
O impulso digital nos óculos cresceu, mas não substituiu a experiência presencial.
Foto: Daniel Zuchnik. Cortesia de Getty Images.
Como se destacar? "As pessoas não têm mais apenas um par de óculos; elas constroem um guarda-roupa", diz Lex van de Vliet, CEO da marca Ace & Tate, com sede em Amsterdã, lançada em 2013. "Mas muitas marcas entraram no mercado desde que começamos, então os consumidores agora têm infinitas escolhas. Estas não são apenas marcas óticas, então se destacar é mais difícil." Para van de Vliet, manter os clientes é fundamental. A Ace & Tate oferece "qualidade consistente e atenção pessoal", com personalização na loja que permite aos compradores misturar lentes coloridas com suas armações favoritas. A marca também foca em sua experiência ótica e serviços de cuidados com os olhos.
A experiência da marca é central para o valor da Jimmy Fairly. "Quando você precisa de uma receita, geralmente precisa de um especialista e de conselhos, porque é um equipamento médico", diz Daphnée Duchatel, CMO da marca parisiense. "É algo que você coloca no rosto e precisa experimentar." A marca investiu em lojas diretas ao consumidor (DTC) e ferramentas online, incluindo um provador virtual. A Jimmy Fairly agora tem mais de 170 lojas em nove países, e o e-commerce ajuda a impulsionar o tráfego nas lojas, embora represente uma pequena parcela das vendas.
Com mais concorrentes no mercado, a Ace & Tate focou em estratégias de retenção de clientes. Na foto: Lex van de Vliet, CEO.
Foto: Cortesia de Ace & Tate.
A pesquisa da Euromonitor descobriu que 74% das compras de óculos no e-commerce são concluídas em dispositivos móveis, com os clientes iniciando suas jornadas no Instagram, TikTok e Snapchat. Esses desenvolvimentos digitais — avaliações de criadores, conteúdo de estilo e consultas online — cresceram, mas não enfraqueceram o poder das lojas físicas. Em vez disso, eles elevaram o nível para pontos de venda DTC, varejistas atacadistas e ópticas. "Como os óculos são tão pessoais e técnicos, o verdadeiro papel do digital é tranquilizar", diz Bia Bezamat, especialista em insights culturais da Kantar. "Ele precisa passar de 'isso fica bem em outra pessoa' para 'confio que isso funcionará em mim'."
**Entrando em novos mercados**
As duas gigantes da indústria de óculos, EssilorLuxottica e Safilo Group, competem e trabalham lado a lado com marcas de luxo. Nos últimos anos, surgiu uma tendência em que as marcas de luxo internalizam o design e a fabricação de seus óculos. Em 2016, a Safilo perdeu a licença da Gucci, do grupo Kering. A Celine seguiu em 2018, e depois a Dior em 2020, com ambas as marcas do LVMH migrando para a Thélios, a fabricante de óculos totalmente controlada pelo LVMH desde 2021.
"Em vez de ver isso apenas como um desafio, a Safilo viu como uma oportunidade para remodelar sua estratégia e fortalecer sua posição competitiva", diz Michele Melotti, CFO da Safilo. "Diversificamos e reequilibramos nosso portfólio, fortalecemos nossa posição em óculos de grau e esportivos, e reforçamos nossa presença no segmento contemporâneo premium."
No primeiro trimestre deste ano, as vendas líquidas do Safilo Group atingiram €272,9 milhões, um aumento de 0,4% em taxas de câmbio constantes. Isso se segue a um crescimento de 1,8% em taxas de câmbio constantes para 2025. A expansão da empresa em armações de grau e a forte demanda nas principais regiões impulsionaram o crescimento orgânico. As vendas do primeiro trimestre da EssilorLuxottica saltaram 11% ano a ano, para €7,13 bilhões, impulsionadas pela forte demanda na América do Norte e por armações aprimoradas com IA da Ray-Ban e Oakley.
Outro sinal de um mercado em mudança: a Marcolin, anteriormente propriedade da empresa de private equity PAI Partners, foi adquirida pela VSP Vision no final de 2025. D'Acunzo, da Marcolin, diz que a força da VSP Vision como especialista em seguro de visão representa uma "grande oportunidade". O portfólio de marcas de óculos da VSP Vision, que já inclui Nike, Lacoste e Calvin Klein por meio de sua subsidiária Marchon Eyewear, agora também apresenta Tom Ford, Zegna, Max Mara e outras — uma linha formidável.
A Ace & Tate e outros players menores do setor estão buscando expansão internacional para ganhar participação de mercado.
Foto: Cortesia de Ace & Tate.
Fusões e aquisições também são importantes para pequenas empresas. A Ace & Tate adquiriu a marca espanhola de óculos Project Lobster em fevereiro deste ano, fortalecendo sua presença na Espanha, um mercado-chave em sua estratégia europeia. Enquanto isso, a Jimmy Fairly está de olho no mercado dos EUA. Duchatel observa que suas lojas em Paris e Londres atraem muitos clientes americanos, o que levou a marca a abrir uma loja em Nova York em dezembro de 2025. "Nova York é um sucesso incrível", diz ela. "Na verdade, é a loja número um da rede toda semana."
**Perguntas Frequentes**
Aqui está uma lista de perguntas frequentes sobre se as marcas devem investir em óculos de luxo, escrita em tom natural com respostas claras e diretas.
**Perguntas de Nível Iniciante**
1. **O que exatamente conta como óculos de luxo?**
Óculos de luxo incluem óculos de sol e de grau de alta qualidade de marcas de designers ou casas especializadas com herança. Eles são definidos por materiais premium, artesanato superior e um preço elevado.
2. **Por que uma marca que não fabrica óculos entraria no mercado de óculos de luxo?**
É uma jogada inteligente de licenciamento. Marcas como Dior ou Chanel não possuem fábricas; elas licenciam seu nome para empresas especializadas em óculos. Isso permite que entrem em um mercado de alta margem com risco de fabricação zero, enquanto estendem sua marca a um acessório diário que é visto constantemente.
3. **O mercado de óculos de luxo é realmente lucrativo?**
Sim, muito. As margens de lucro em um par de óculos de sol de luxo podem ser de 70-80% ou mais. O custo de fabricação é baixo comparado ao preço de varejo, e as pessoas substituem ou compram vários pares como itens de moda, não apenas como necessidades.
4. **As pessoas realmente compram óculos caros só pelo logotipo?**
Não só pelo logotipo, mas pelo status e identidade que ele representa. Um cliente compra a sensação de luxo, o design e a qualidade percebida. O logotipo é um sinal disso, mas o estilo e o ajuste da armação são o que fecham a venda.
5. **Qual é a diferença entre investir em óculos de sol versus armações de grau?**
Óculos de sol são uma compra por impulso puramente de moda, ótima para visibilidade da marca. Armações de grau são um investimento de maior risco porque as pessoas as usam todos os dias, tornando a qualidade e o conforto cruciais. A prescrição também cria fidelidade do cliente.
**Perguntas de Nível Intermediário**
6. **Uma marca não ligada à moda pode ter sucesso em óculos de luxo?**
Sim, mas apenas se a marca tiver um DNA visual forte. Porsche Design e Ferrari fizeram isso bem porque seus óculos refletem sua linguagem de design. Uma marca de tecnologia precisaria de uma estética icônica muito clara para competir.
7. **Qual é o maior risco de investir nesta categoria?**
Falsificação e diluição da marca. Cópias baratas.
