"Conversando com…Jesse Jackson", por Charlayne Hunter-Gault, apareceu originalmente na edição de janeiro de 1988 da Vogue. Para mais destaques do arquivo da Vogue, inscreva-se aqui na nossa newsletter Nostalgia.

Jesse Louis Jackson, um candidato presidencial de quarenta e seis anos e uma das figuras políticas mais dinâmicas da atualidade, cresceu no Sul segregado. Frequentou um colégio só para negros, onde foi o astro do time de futebol americano e um líder popular, enquanto também trabalhava no hotel e campo de golfe exclusivos para brancos em Greenville, Carolina do Norte. Essa experiência alimentou seu impulso para passar "do fundo do ônibus para a frente das urnas". Participante ativo do movimento pelos direitos civis na década de 1960 como assistente de Martin Luther King e de sua Conferência de Liderança Cristã do Sul, Jackson representa o próximo passo natural desse movimento — uma transição do protesto para a política.

Quando Jackson concorreu à presidência pela primeira vez em 1984, sua voz poderosa sobre questões que afetam a comunidade negra lhe rendeu um apoio negro sem precedentes. O grito de guerra "Corra, Jesse, corra" ecoou das igrejas negras do Sul até as salas de estar de profissionais negros. Desde então, Jackson — casado e com cinco filhos — trabalhou para expandir sua base além da comunidade negra, construindo uma "coalizão arco-íris" do que ele chama de "os condenados, deserdados, desrespeitados e desprezados". Desta vez, o refrão é "Vença, Jesse, vença".

**Charlayne Hunter-Gault:** No início deste século, W.E.B. Du Bois disse: "O problema do século XX é o problema da linha de cor". O que isso lhe diz sobre você ser o favorito entre os candidatos brancos, embora a maioria das pessoas brancas diga que não votaria em um candidato negro?

**Jesse Jackson:** Depende de como a pergunta é feita. Se você perguntar: "Você apoiaria um presidente negro?", a resposta instintiva costuma ser não. Mas se perguntar: "Você apoiaria alguém que impedirá as drogas de entrarem no país e os empregos de saírem, que consertará nossa política externa e restaurará nossa credibilidade?", muitos diriam sim. Importa se ele é negro? Não — eles só querem que os problemas sejam resolvidos. A forma como você enquadra a pergunta importa, e as pessoas podem corresponder ao desafio. Minha confiança vem de observar vinte e cinco anos de crescimento social significativo neste país.

Encontro esperança em Archie Bunker. Sua filha namora inter-racialmente. Seu filho protesta contra políticas na América Central e na África do Sul. Archie reclama de famílias negras se mudando para sua rua — mas ele não se muda. Ele resmunga, mas seus filhos vão para a escola pública, não para a escola católica. Ele trabalha em uma linha de montagem ao lado de colegas negros e hispânicos. Ele está no estádio, nas arquibancadas, parte do arco-íris. Ao longo de vinte e cinco anos, Archie Bunker se tornou uma pessoa melhor e mais integrada.

**CHG:** Como você vê as relações raciais hoje, especialmente após os violentos incidentes raciais em Howard Beach, Nova York, e no Condado de Forsyth, Geórgia?

**JJ:** Há um problema quando as divisões raciais são impostas por lei e defendidas por líderes. O que é diferente agora é que existem barreiras legais contra a violência racial. Mas muitas pessoas absorvem estereótipos indiretamente pela televisão, onde negros e hispânicos são frequentemente retratados como menos inteligentes, menos trabalhadores, menos patrióticos e mais violentos. À medida que derrubamos os muros que dividem os americanos, as pessoas começarão a ver o quanto todos compartilhamos das mesmas lutas.

**CHG:** Não importa como você olhe, seu relacionamento com o povo judeu e sua falha em rejeitar o líder muçulmano negro Louis Farrakhan continuam surgindo.

**JJ:** Isso me incomoda, mas tudo o que você pode fazer é continuar estendendo a mão. Estender a mão funciona nos dois sentidos. Esperamos construir sobre um terreno comum — uma coalizão por empregos, paz e justiça. Temos mais apoio entre os cidadãos judeus do que antes. Só podemos esperar que nosso relacionamento melhore.

**CHG:** Até que ponto a mídia chamá-lo de favorito "por enquanto" se torna uma profecia autorrealizável?

**JJ:** Aprendi a deixar a subestimação me inspirar, não me deprimir. As pesquisas e os chamados especialistas políticos interpretaram completamente mal minha última campanha. Eles não conseguiram medir quantos novos eleitores eu traria para o processo. Disseram que eu não sobreviveria à campanha. Previram que eu conseguiria cem delegados — consegui quatrocentos e sessenta e cinco.

A última vez que estive na capa da Time, a manchete dizia algo como: O verdadeiro significado da candidatura de Jackson está nas forças que ela pode desencadear. Acho que é uma análise sólida. Desencadeamos uma onda de votação em todo o Sul que mudou a composição do Senado dos EUA — mesmo no auge da popularidade de Reagan. Libertou o voto negro e tornou o Sul mais progressista.

**CHG:** Quão importante é a Super Terça-feira?

**JJ:** A Super Terça-feira abre a porta para uma coalizão do Novo Sul que poderia moldar a presidência e influenciar tanto a política interna quanto a externa. Em 1986, senadores e representantes eleitos em todo o Sul venceram com apenas cerca de 40% do voto branco. Eles venceram por causa de uma nova coalizão, impulsionada por uma nova geração de eleitores.

**CHG:** Eleitores negros.

**JJ:** Sim. E esses legisladores usaram argumentos convincentes contra o indicado à Suprema Corte Bork — que ele era um extremista, insensível aos trabalhadores, negros, mulheres e nosso direito à privacidade. Para senadores e congressistas do Sul, isso representa uma mudança histórica na perspectiva cultural e política.

**CHG:** Se você arrasasse na Super Terça-feira, isso criaria caos no Partido Democrata. Os democratas estão tentando mover o partido para o centro, e você está puxando-o para a esquerda.

**JJ:** A questão não é esquerda ou direita. Por causa da minha presença, o partido está mais energizado para avançar. Minha posição é cortar o orçamento militar sem enfraquecer a defesa. Agora todos os candidatos concordam com isso. Eles também concordam que as corporações devem pagar sua parte justa de impostos, e que precisamos passar de fusões e aquisições alavancadas para reinvestir na América. Gephardt e Dukakis agora concordam que pode ser necessário apoiar o ANC na África do Sul. Esse é o sucesso da minha campanha — esses candidatos não tinham assumido essas posições antes.

A maioria dos políticos nutre seus eleitorados existentes. Eu construo e nutro novos, usando técnicas dos direitos civis. Cadastrei dois milhões de novos democratas que se opunham a Bork. Isso é mais do que qualquer outro democrata fez nos últimos dez anos. Então construí um eleitorado para mim e para nossa causa — lutando pelos direitos dos deficientes, direitos das mulheres, direitos civis, direitos dos trabalhadores e por uma política externa coerente e sensata na América Central e na África do Sul. Isso é politicamente realizável, intelectualmente sólido, está em nosso interesse nacional e é moralmente correto.

**CHG:** Quero aprofundar a questão da moralidade. Há uma percepção de que a América enfrenta uma crise de moralidade, especialmente entre os políticos.

**JJ:** Se o comportamento de alguém afeta os interesses e a segurança nacionais, é justo discutir isso. Mas em uma democracia, é um erro impor os rígidos padrões éticos da fé de alguém ao governo constitucional. Alguns dos comportamentos que a imprensa está julgando não são ilegais — são considerados pecaminosos. A igreja lida com o pecado; a lei lida com o crime. No momento, a mídia está obcecada com sexo e imoralidade. Eles estão menos interessados em sexismo e racismo, embora ambos sejam ilegais.

**CHG:** Por que eles estão menos interessados?

**JJ:** Se você focar no racismo e no sexismo, a lente pode se voltar para aqueles que escrevem, publicam e produzem as notícias. As pessoas tendem a evitar escrever sobre suas próprias fraquezas.

**CHG:** É justo um repórter perguntar sobre algo verdadeiro que aconteceu em sua vida privada?

**JJ:** Isso é uma questão entre mim e minha família. No final das contas, minha consciência e meu Deus me guiam.

**CHG:** Mas quão importante é o caráter?
**JJ:** O caráter é muito importante. Você não pode tolerar a imoralidade ou a fraqueza humana. No entanto, você deve entender que, como ninguém é perfeito, simplesmente tem que aceitar as limitações de todos os servidores públicos e tirar o melhor deles que puder. Quando você começa a julgar a moralidade privada em vez de focar no serviço público, se afasta cada vez mais de seu objetivo, que é defender ou criar a lei. Respeitamos a liberdade de imprensa por todas as razões certas, mas também respeitamos o direito à privacidade.

**CHG:** A intensa vigilância da mídia poderia desencorajar as pessoas a entrar na vida pública?
**JJ:** Duvido. Provavelmente levará as pessoas a serem mais discretas. Não vai impedir alguém que tem o impulso de ser prefeito, congressista, senador, governador ou presidente.

**CHG:** Supõe-se que, mesmo que você não consiga a indicação, terá um papel importante na escolha do indicado. Você pode dar uma identidade ao partido?
**JJ:** No momento, estou liderando o Partido Democrata dominante. O partido é definido pelas pessoas que o compõem. Está ganhando uma identidade porque tem sangue novo — há mais água no riacho. Da última vez, água quente e fria se juntaram sem trauma. Quando isso acontece, a água quente esfria um pouco e a água fria esquenta um pouco. Elas fluem juntas para uma ampla corrente principal.

**CHG:** Quando perguntei a você em 84: "Você vai ganhar esta indicação?", você disse que havia todos os tipos de definições de vitória: cadastrar mais eleitores, fazer mais pessoas se preocuparem com questões. Ainda é assim que você define vitória?
**JJ:** Isso estava correto então e está correto agora. Nós cadastramos mais eleitores. Somos responsáveis pelo Senado retornar ao controle democrata. Aumentamos o número de funcionários progressistas. Estamos vencendo. Desta vez, também venceremos a indicação.

**Perguntas Frequentes**
Claro. Aqui está uma lista de FAQs sobre "Dos Arquivos: Uma Conversa com Jesse Jackson", projetada para responder perguntas do geral ao mais detalhado.

**Geral / Perguntas para Iniciantes**

**P: O que é "Dos Arquivos: Uma Conversa com Jesse Jackson"?**
R: Normalmente é uma entrevista gravada, discurso ou painel de discussão com o Reverendo Jesse Jackson, extraído da coleção histórica de um veículo de mídia ou instituição. Não é um evento específico, mas uma categoria de conteúdo arquivístico.

**P: Quem é Jesse Jackson?**
R: O Reverendo Jesse Jackson é um famoso líder dos direitos civis americano, político e pastor batista. Ele foi um assistente-chave do Dr. Martin Luther King Jr., fundou a Coalizão Rainbow PUSH e foi candidato à presidência dos EUA duas vezes na década de 1980.

**P: Onde posso encontrar essa conversa?**
R: Esses arquivos são frequentemente mantidos por redes de notícias, universidades ou instituições culturais. Eles podem ser encontrados frequentemente em seus sites oficiais, canais do YouTube ou em arquivos digitais dedicados.

**P: Por que eu gostaria de assistir ou ouvir uma entrevista antiga?**
R: Esses arquivos oferecem um olhar direto e não filtrado sobre a história. Você ouve as perspectivas, linguagem e questões do passado de um participante importante, o que pode fornecer um contexto crucial para entender os movimentos de justiça social e a política atual.

**Conteúdo / Perguntas de Contexto**

**P: De que período é essa conversa?**
R: Depende do arquivo específico. Jesse Jackson é uma figura pública desde a década de 1960. Uma conversa pode ser da era do Movimento dos Direitos Civis, de suas campanhas presidenciais nos anos 80 ou de décadas mais recentes, focando na justiça econômica.

**P: Sobre quais tópicos ele geralmente discute?**
R: Temas comuns incluem direitos civis, direito ao voto, igualdade econômica, política externa, justiça social, estratégia política e a luta contínua pela equidade racial na América.

**P: Isso é diferente dos discursos dele?**
R: Sim. Uma conversa ou entrevista é mais interativa. Envolve perguntas de um jornalista ou apresentador, o que pode levar a trocas espontâneas, aprofundadas ou desafiadoras que você pode não ter em um discurso preparado.

**Avançado / Perguntas Analíticas**

**P: Como a mensagem ou estratégia de Jesse Jackson evoluiu nessas conversas arquivísticas ao longo do tempo?**